No Domingo passado, durante um jantar de anos, alguém me contava uma história de uma amiga que mandou o veterinário arrancar as garras do seu gato porque, segundo ela, lhe davam cabo do chão e dos móveis de casa. Acrescentava ainda que o tal veterinário oferecia outros serviços como o corte da cauda ou das extremidades das orelhas. Pergunta: MAS ESTÁ TUDO DOIDO?
Um gato sem garras já não é um gato. É qualquer outra coisa, mas não um gato. Há quem opte por ter um gato porque, aparentemente, combina com a decoração da casa. No entanto, não esperam que ele se comporte como um gato.
Eu tenho um gato. Chama-se Spike. O Spike tem muita manha,aparece sempre onde não é suposto, ignora-nos quando não quer ouvir, às vezes mia às 5h da manhã para lhe abrirem a janela porque gosta de ver os pássaros, deita-se em cima dos meus livros, rói coisas em plástico, vomita bolas de pêlo, saltita por cima de mim para eu acordar, quer estar ao meu colo sempre que estou ocupada, mas nunca vem quando eu o chamo, mexe nas teclas do pc, deita o meu telemóvel ao chão quando ele vibra, desenrola o papel higiénico só porque acha graça, afia as garras em sítios onde não deve e até já entornou capuccino para cima dos meus apontamentos de Micro prai dois dias antes do exame. Ter um gato é isto tudo, é uma espécie de pacote. Com aquele ronronar adorável vem sempre o ter que limpar a porcaria mal-cheirosa que ele faz, o ter que o aturar quando não se está com paciência, sentir que ele se está a lixar para o que dizemos e por aí fora. Eu adoro o meu gato. Assim como veio, todo o pacote.
Não entendo as pessoas que decidem ter um gato para depois o tentarem transformar em qualquer outra coisa. É como se lhe dissessem "És giro e felpudo, mas tenta ser menos...gato!" Acho que deviam optar por peixes de plástico, combinam melhor.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
sábado, 13 de fevereiro de 2010
A idade da parvoíce
Quinze anos. Eu era toda certezas. Ouvia música da cena, tinha as minhas meias às riscas, padrão Freddy Krueger, dizia "chavalo", ninguém me podia parar. Era aquela miúda irritante que estava convencida que iria salvar o Mundo. Batia-me por causas tão nobres como a alteração das datas dos testes ou o fim das aulas de Estudo Acompanhado. Eu era contra o poder instituído, fosse lá isso o que fosse. Eu não sabia qual era a diferença entre o Primeiro-Ministro e o Presidente.
"Pai, quem é que manda mais?"
"É o Primeiro-ministro."
"É isso que eu quero ser."
Eu queria era mandar. Hoje sei que tenho pouco talento para a política. Não sou suficientemente cínica para chegar ao topo.
Naquele tempo (expressão mesmo à pensionista), éramos estupidamente felizes. Jogávamos basquet até cair pro lado, o Orçamento de Estado não interessava para nada, fascismo era só uma palavra dificil de escrever e o Samurai X é que devia pôr ordem nisto tudo. Nos anos 90, a Tv não era tão medíocre (ok, havia o Big Show Sic...), passavam os X-men aos sábados de manhã, os miúdos nem sabiam o que eram telemóveis, os penteados eram rídiculos, mas a Manuela Moura Guedes ainda parecia deste planeta. Eu vivia feliz na minha ignorância.
"Pai, quem é que manda mais?"
"É o Primeiro-ministro."
"É isso que eu quero ser."
Eu queria era mandar. Hoje sei que tenho pouco talento para a política. Não sou suficientemente cínica para chegar ao topo.
Naquele tempo (expressão mesmo à pensionista), éramos estupidamente felizes. Jogávamos basquet até cair pro lado, o Orçamento de Estado não interessava para nada, fascismo era só uma palavra dificil de escrever e o Samurai X é que devia pôr ordem nisto tudo. Nos anos 90, a Tv não era tão medíocre (ok, havia o Big Show Sic...), passavam os X-men aos sábados de manhã, os miúdos nem sabiam o que eram telemóveis, os penteados eram rídiculos, mas a Manuela Moura Guedes ainda parecia deste planeta. Eu vivia feliz na minha ignorância.
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